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Fabio

26 fevereiro 2021

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Tendências do turismo internacional: O sucesso na gestão da pandemia e as tendências no turismo da Austrália e Nova Zelândia.

Tendências do turismo internacional: O sucesso na gestão da pandemia e as tendências no turismo da Austrália e Nova Zelândia.

Por Cintia Mari Hayashi, diretora de promoção do São Paulo Convention & Visitors Bureau.

Vamos começar a nossa viagem pelo continente da Oceania, destino que se tornou exemplo mundial do combate à pandemia, com melhor desempenho na gestão da pandemia.

 

A Nova Zelândia decretou diversos lockdowns e ofereceu claras informações à população. O país implementou as mais rígidas restrições, e o governo, liderado pela primeira-ministra Jacinda Ardern, tomou decisões consideradas mais agressivas do que outros países desenvolvidos, como o confinamento de toda a sua população por um mês e o fechamento total de fronteiras, publicou a BBC News. “Ter uma postura forte e dentro do prazo deu ao governo e ao setor de saúde tempo para se preparar para o pior, incluindo a instalação de estações de teste e ampliação da capacidade hospitalar”, disse a professora Ella Henry, da Universidade de Tecnologia de Auckland, à BBC News Mundo.

 

A Austrália fechou suas fronteiras em março e teve um dos mais longos e severos lockdowns do mundo, com períodos diferentes de duração em cada estado, o que foi possível o país voltar a sua normalidade, com protocolos e uso obrigatório de máscara. Atualmente, os moradores que desejam voltar ao país precisam pagar 3 mil dólares australianos para passar 14 dias em um hotel em isolamento.

 

Na visão de alguns residentes, hoje quase não percebem a presença do vírus, mas creem que isso foi devido à uma rápida resposta do governo desde o início da pandemia. Além da grande quantidade de testes realizados, o governo ofereceu subsídio financeiro a todas as famílias, como pagamento do Family Day Care, que é um serviço de creche domiciliar (mesmo que as crianças estivessem indo para a escola), JobKeeper para manter os negócios que foram prejudicados e JobSeeker Payment aos que tiveram sua jornada de trabalho reduzida, equivalente a aproximadamente 500 dólares australianos por semana. O governo também permitiu que os australianos acessassem seu Superannuation Payment, o fundo de garantia, podendo sacar até 10 mil dólares locais. Além disso, todos os estudantes internacionais receberam uma parcela de auxílio de cerca de 1.000 dólares.

 

Inovação e cuidados na retomada de turismo e eventos

Como solução para manutenção das viagens e turismo, no início da pandemia, discutiu-se muito sobre a implantação de bolhas de viagem, o que permitiria viagens entre os dois países. Entretanto, este acordo permitia aos neozelandeses viajarem à Austrália, mas os Australianos ainda precisavam cumprir a quarentena de 14 dias para ingressar na Nova Zelândia. Recentemente, com a origem de novos casos na Nova Zelândia, a bolha de viagens foi suspensa pela Austrália.

 

Portanto, apesar do interesse entre países de estimularem viagens e o turismo entre eles, a situação epidemiológica determina a abertura ou não das fronteiras e as ações de enfrentamento ao Covid-19, ou seja, a saúde e o rígido controle ainda permanecem como prioridades nesta gestão da pandemia desses países.

 

“Se for bem-sucedido, o plano aponta para uma rota de saída clara, com um retorno cuidadoso às atividades normais”, menciona a BBC News, sobre um artigo científico publicado por um grupo liderado pelo epidemiologista Michael Baker, sobre a estratégia da Nova Zelândia.

 

A eficaz estratégia desses países e o sucesso no controle da pandemia pode permitir o retorno de eventos e o cenário esportivo com público. No último domingo, 21 de fevereiro, a Austrália realizou a final do Grand Slam Australia Open, torneio de tênis que chamou atenção por receber 30 mil torcedores por dia, sem máscara nas arenas abertas. As restrições foram bem rígidas, com limitação de 50% de capacidade, venda de ingressos somente por meios digitais, arenas higienizadas a cada partida e proibição da circulação de público pelo complexo. Em novembro de 2020 a liga de rúgbi realizou um evento com 52 mil torcedores na Austrália e em abril deste ano, o país pretende receber etapas do mundial de surfe.

 

Benchmarking para o mercado brasileiro

Em dezembro de 2020, de acordo com a pesquisa global realizada pela consultoria inglesa Brand Finance, Brasil, Índia e Estados Unidos ficaram entre os últimos colocados em estudo que analisou a percepção sobre 105 países e como enfrentaram a crise do Corona vírus.

 

Em outro estudo, o Instituto Australiano Lowy divulgou em janeiro de 2021, um ranking de gestão da pandemia, que apresentou a Nova Zelândia na primeira colocação e Austrália em oitavo lugar. O Brasil, junto com México, Colômbia e Irã, ficou na última colocação.

 

Alguns pontos beneficiam a Nova Zelândia nos estudos acima em relação a outros países. Certamente, a geografia do continente favorece o controle das fronteiras estabelecidas, além disso, a população de 4,8 e 25 milhões de habitantes da Nova Zelândia e Austrália respectivamente, apresentam maior facilidade de controle da população do que em outros países mais populosos.

 

Ao analisar a possibilidade de serem aplicadas essas medidas no Brasil, Gonzalo Vecina, professor do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, considera que isso é impossível. “Dentre os fatores que são obstáculos, estão a desigualdade social, o nível educacional e o tamanho da população”, argumenta.

 

A infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Raquel Stucchi opina que “Seria viável seguir o exemplo da Nova Zelândia, mas agora já não é mais. Temos realidades diferentes, mas a filosofia mestra deveria ser: precisamos fazer isolamento”. Outrossim, pondera sobre liderança: “É uma única voz no comando do país, que ouve a ciência. Ela (primeira-ministra Jacinda Ardern) falando e todos obedecendo. Claro que lá o território e a população são muito menores, mas isso faz diferença. O que aconteceu aqui é que cada um falou uma coisa, então cada pessoa seguiu o que era melhor para si”.

 

De acordo com o epidemiologista Michael Baker e sua equipe “O bloqueio tem grandes custos sociais e econômicos e provavelmente será particularmente difícil para aqueles com menos recursos”. Entretanto, “O êxito da estratégia de eliminação do vírus está longe de ser certeiro na Nova Zelândia.”, comenta o epidemiologista, apesar do sucesso na gestão da pandemia na Nova Zelândia.

 

Estímulo ao turismo local, com criatividade

O Tourism New Zealand, organização governamental de promoção do destino, criou uma campanha de turismo para estimular neozelandeses a fazerem algo diferente no país e assim, apoiar empresas do segmento. Com a hashtag #DoSomethingNewNZ, o website da campanha traz inspirações para as férias escolares e viagens em família, com a comercialização de experiências imperdíveis no país. Conheça a campanha:

Além disso, a Nova Zelândia lançou outra campanha chamada ‘Viajar sob a influência social’. A campanha é feita por uma série de vídeos engraçados, criados para incentivar influenciadores digitais a evitar fotos clichês e, em vez disso, compartilhar novos aspectos do país. O objetivo é destacar que existem muitas experiências incríveis na Nova Zelândia, além das tendências sociais. Os vídeos estão disponíveis no canal do YouTube:

Tendências para o turismo: Tourism Australia

A Vogue Living recentemente publicou como serão as tendências de viagem para dos australianos em 2021, destacando as viagens domésticas e sustentáveis como uma solução segura e inteligente. Veja a seguir as 7 tendências:

 

1. Amplos espaços abertos

“Com as pessoas desejando espaços abertos, ar fresco e natureza mais do que nunca, os paraísos naturais da Austrália serão mais desejáveis em 2021”, diz o relatório de tendências da Tourism Australia. Destinos com grandes espaços abertos parecem mais seguros para os viajantes – e, depois de passar mais tempo em casa no ano passado do que nunca, as pessoas estão desenvolvendo uma nova apreciação por estar ao ar livre.

 

2. A viagem está de volta, baby

Com o distanciamento social e as restrições ainda em vigor, dirigir nas férias faz sentido. “Uma viagem na estrada aberta oferece aos viajantes liberdade e independência. Os carros são uma forma confiável, segura e higiênica de viajar, e as vastas paisagens da Austrália oferecem oportunidades infinitas de pegar a estrada e descobrir algo novo.”

 

De acordo com a pesquisa da Tourism Australia, 55% dos viajantes australianos pretendem fazer uma viagem interestadual nos próximos 12 meses. Visitando áreas regionais e pequenas cidades, atividades de aventura ao ar livre e visitando novos destinos para participar de experiências gastronômicas e vínicas.

 

3. Viagem que retribui

Hoje em dia, os viajantes procuram conhecer lugares importantes e usar as viagens como uma força do bem. “Isso pode assumir várias formas: tão simples como apoiar as empresas locais comprando em uma vinícola, padaria ou açougue local, até a prática de restauração de incêndios florestais por meio de passeios de recuperação e experiências como plantar uma árvore para ajudar a restabelecer o habitat dos coalas em áreas afetadas ”, diz o Tourism Australia.

 

No relatório Future of Travel da Booking.com, mostrou que 41% dos viajantes australianos desejam viajar de forma mais sustentável no futuro, com a Covid-19 aumentando nossa consciência sobre escolhas responsáveis. E 62% esperam que a indústria de viagens ofereça opções de viagens mais sustentáveis e mais da metade (52%) dos viajantes considerarão a redução do desperdício e/ou reciclagem de plástico ao viajar novamente.

 

4. Redescobrir nossas primeiras nações

Com a maioria dos australianos viajantes de castigo até novo aviso, agora é o momento perfeito para descobrir a rica história cultural de nossos aborígenes e habitantes das Ilhas do Estreito de Torres. A cada ano, observa-se um interesse crescente nas experiências de turismo indígena, com um aumento de 28% entre 2018 e 2019 apenas. Isso tende a crescer, e há uma série de experiências, desde passeios a pé com arte rupestre até passeios de comida de mata aborígene em oferta em todo o país.

 

5. Viaje para regenerar

Muitos de nós há muito tempo usamos as viagens como uma forma de recarregar as baterias, mas isso se tornará ainda mais importante em 2021. “Experiências de aventuras leves, como caminhadas de vários dias e viagens de bem-estar (ou seja, férias em spa, retiros de ioga) estão crescendo em popularidade nos últimos anos, e a pandemia apenas ampliou o desejo por esse estilo de férias”, diz o relatório da Tourism Australia. “Espera-se que destinos e experiências que deixem os viajantes calmos e rejuvenescidos – seja uma caminhada de vários dias com tudo incluído ou uma estadia em cabine ecológica fora da rede – sejam populares entre os viajantes”.

 

O relatório Future of Travel da Booking.com confirma isso, com 51% dos viajantes pesquisados dizendo que “viagens relaxantes” eram o tipo preferido de férias, seguido por férias na praia (40%) e viagens pela cidade (29%).

 

6. Prove o local

Como uma nação de amantes do vinho e da comida, a Austrália não tem escassez de experiências culinárias e agrícolas para experimentar. “A ascensão do agroturismo oferece aos visitantes um sabor autêntico de um lugar e uma visão da cultura do destino, com tudo, desde degustações íntimas de vinho a luxuosos fretamentos de helicópteros”, diz o Tourism Australia. “Seja visitando fazendas, pernoitando em fazendas, degustando produtos locais, vivenciando a vida no campo e interagindo com animais, o agroturismo está mais popular do que nunca. Na verdade, descobriu-se que as famílias australianas, em particular, estão cada vez mais procurando o agroturismo para escapar da agitação da vida cotidiana na cidade.”

 

7. Atingindo os ícones australianos

Todo mundo tem uma lista de desejos, e com muitos viajantes evitando férias no exterior para fazer viagens locais, as restrições de viagem colocam uma nova ênfase nas experiências do tipo “vou fazer isso um dia”. “Os viajantes australianos têm uma oportunidade única este ano de olhar para sua lista de desejos e buscar ativamente experiências australianas icônicas que poderiam ter adiado no lugar de um feriado internacional – desde escalar a Sydney Harbour Bridge a visitar Uluru ou a Grande Barreira de Corais,” diz o Tourism Australia.

 

Na verdade, essa abordagem localizada e experiencial é exatamente o que as operadoras de turismo e destinos regionais da Austrália precisam para se manter à tona. Pense: aulas de surf, passeios de vinho, museus e muito mais.

 

Apesar das divergências de cenários entre Brasil, Austrália e Nova Zelândia, também mencionadas pelos especialistas, é possível analisar as soluções implementadas na gestão da pandemia e principalmente ao setor de viagens, turismo e eventos, para identificar de que forma o mercado brasileiro pode aprender e adaptar as boas práticas à nossa realidade. É possível. Com muita criatividade, perseverança e sobretudo, com responsabilidade aos cuidados com a saúde dos locais, profissionais de turismo e dos viajantes.