O Desafio de Atrair Mais Turistas Internacionais para o Brasil

 

 

Crédito: Gregory Grigoragi

O turismo internacional no Brasil é um tema que provoca intensos debates, bravatas, chutes e comparações até mesmo com torres de ferro e estátuas.

 

Apesar do vasto potencial turístico de um país continental, o Brasil ainda não alcançou números expressivos de visitantes estrangeiros, enfrentando desafios que vão desde a localização geográfica, malha aérea,   até a ausência de políticas públicas estratégicas e eficazes de longo prazo.  Estudos da Organização Mundial do Turismo mostram que 80% das viagens internacionais ocorrem em trajetos de curta distância, com até 5 horas de voo.

 

O Brasil, distante dos grandes mercados emissores como Europa, América do Norte e Ásia, depende dos 20% de viajantes que fazem longos deslocamentos, o que naturalmente limita sua competitividade no cenário global com outros destinos.  Comparações com países como México, Estados Unidos e países na  Europa evidenciam nossas dificuldades.

 

Enquanto o México atrai 42 milhões de turistas, beneficiando-se da proximidade com os Estados Unidos, e a Europa ultrapassa 347 milhões de visitantes anuais em apenas seis países, o Brasil recebe pouco mais de 6 milhões de estrangeiros.  A princípio é um número desproporcional ao potencial do país, que possui uma vasta oferta de atrações naturais, culturais e históricas.

 

Mas é  importante considerar também que nossos vizinhos sul-americanos, que poderiam compor um mercado emissor relevante, enfrentam limitações de poder aquisitivo e baixa densidade populacional. Mesmo assim, mais de 18 milhões de sul-americanos viajam para destinos no hemisfério norte, enquanto apenas uma pequena fração desses turistas escolhe o Brasil.

 

Para superar essas barreiras, é fundamental repensar estratégias. Uma abordagem mais assertiva seria concentrar esforços em atrair os viajantes de longa distância e investir no desenvolvimento de produtos turísticos de nicho, como por exemplo,  o segmento MICE – Congressos, feiras e eventos corporativos e viagens de incentivo têm o potencial de atrair visitantes com maior poder aquisitivo e dispostos a explorar destinos fora dos tradicionais circuitos de massa, mas que também são relevantes e fontes de renda da população local e que precisam de promoção constante .

 

Ainda assim, é essencial reconhecer que qualquer avanço dependerá de política pública para atrair mais  voos,  menos impostos e segurança jurídica para atrair investidores.  Diante das limitações do turismo receptivo internacional, o mercado interno ganha relevância como motor da atividade turística. Milhões de brasileiros movimentam a economia local ao viajar pelo país, sustentando destinos e gerando empregos.

 

O Brasil não conhece o Brasil.

 

Investir no fortalecimento desse mercado é uma estratégia viável,  considerando a diversidade de opções turísticas e o interesse crescente por experiências locais. A distância é um desafio a competitividade.

 

Enquanto se trabalha para superar os entraves que dificultam o crescimento do turismo internacional, onde a distância é um desafio a competitividade,  é fundamental adotar metas realistas e priorizar ações público e privadas que tragam resultados concretos e sustentáveis , que numa ordem de prioridade,  talvez  não seja nem a China e nem a Austrália…

 

Apenas com planejamento estratégico, investimentos direcionados e uma visão integrada do setor será possível transformar o potencial do turismo brasileiro em resultados que beneficiem toda a cadeia econômica e a sociedade.

 

Toni Sando

Presidente Executivo do Visite São Paulo Convention Bureau e

da Unedestinos, União Nacional de CVB´s e Entidades de Destino