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Daniela Mayumi

01 setembro 2025

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Entrevista Johannes Bayer

Entrevista Johannes Bayer

“Sustentabilidade não é mais uma tendência, é uma obrigação”

Johannes Bayer, homem, branco, usa óculos quadrados, veste terno preto, camisa branca e gravata texturizada azul. Entrevistado da edição do EmDiaCom Impresso
Foto: Divulgação. Johannes Bayer, gerente geral do InterContinental São Paulo

“Trabalhar junto com o Visite São Paulo Convention Bureau é fundamental para captar sinais, demandas do mercado e identificar oportunidades”

O gerente geral do InterContinental São Paulo, Johannes Bayer, diz que “trabalhar com o Visite São Paulo Convention Bureau é fundamental para captar sinais e demandas do mercado”. Hoje, avalia, “a entidade é um espaço de união de esforços, com canais de comunicação, captação e informação bastante profissionais”. Nessa entrevista, Bayer fala ainda sobre sustentabilidade e o projeto Trilha, de inserção de pessoas em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho.

EmDiaCom: O InterContinental São Paulo é um ícone na hotelaria de luxo da cidade. Em sua opinião, qual é o maior desafio – e a maior oportunidade – de manter o hotel como referência em um mercado tão competitivo e dinâmico como o da capital?

Johannes Bayer: Ter uma marca como a InterContinental, que completa 80 anos, é um ativo valioso por si só. Nosso empreendimento chega aos 30 anos em 2026, com alguns desafios, como manter a inovação constante no produto. Recentemente, o hotel foi adquirido pelo fundo de investimento HSI e, neste mês, finalizamos o projeto de reforma.

Ainda não temos todos os planos definidos, mas eles serão influenciados pela demanda do mercado. Hoje, os hotéis de grande porte em São Paulo se beneficiam do crescimento expressivo da demanda por grupos internacionais e de eventos de grande escala. A cidade se consolida como um polo de eventos, o que é muito positivo. Nosso objetivo com a reforma é ampliar nossa participação nesse segmento. Estamos buscando possibilidades de reformular ou expandir nossas áreas para atender melhor essa demanda.

 

EmDiaCom: E quais seriam os principais desafios nesse processo?

JB: O desafio está justamente em alinhar inovação e modernização do produto com a manutenção da tradição e excelência do serviço. A concorrência é grande, e precisamos continuar nos destacando, oferecendo uma experiência única ao hóspede.

 

EmDiaCom: O mercado M.I.C.E. é vital para São Paulo. Como o hotel se posiciona para estar próximo de eventos, convenções e viagens de negócios?

JB: Trabalhar junto com o Visite São Paulo Convention Bureau é fundamental para captar sinais, demandas do mercado e identificar oportunidades. Um exemplo: estamos na região da Paulista, e o Pacaembu finaliza sua reforma. Ali surgirá um novo centro de eventos que poderá atrair grandes encontros. Um evento previsto para daqui a um ano, por exemplo, deve trazer cerca de 2 mil pessoas — clientes americanos que organizam experiências grandiosas. Eles precisam de uma estrutura de hospedagem com essa capacidade.

Na região da Paulista, não há um único empreendimento com essa capacidade isoladamente. O desafio é trabalharmos em parceria com outros hotéis, criando soluções integradas, que facilitem a experiência do cliente. O VSPCB é um espaço de união de esforços, com canais de comunicação, captação e informação bastante profissionais.

EmDiaCom: Vamos falar agora de sustentabilidade e inovação. Como esses pilares estão integrados às operações do InterContinental? E como impactam a experiência do hóspede?

JB: Sustentabilidade não é mais uma tendência, é uma obrigação. Na IHG, temos o projeto Journey to Tomorrow, com metas bem definidas até 2030. Isso inclui redução de consumo energético, de água, de resíduos e também ações sociais e comunitárias. Todos os hotéis da rede IHG acompanham metas de performance com indicadores bem claros.

Nosso hotel, por exemplo, sempre teve uma forte vocação para atender o público asiático, o que exigiu um acolhimento cultural muito específico — desde o chá de boas-vindas até os padrões do café da manhã, que mantemos o mais próximo possível da tradição nipônica.

Também revisamos os processos de limpeza. Notamos, por exemplo, que o consumo de água sobe muito nos dias de checkout de grupos. Com treinamento e conscientização, conseguimos reduzir o desperdício sem afetar a qualidade. Isso atende tanto à sustentabilidade quanto às expectativas do investidor.

 

EmDiaCom: E em termos de inovação, o que estão desenvolvendo?

JB: Um ponto que está impactando muito o setor é a falta de mão de obra. Isso afeta desde hotéis econômicos até os de luxo. Pensamos em como podemos ajudar, em conjunto com outras instituições, a reintegrar pessoas em situação de vulnerabilidade.

Temos um projeto chamado Trilha, que busca inserir essas pessoas no mercado de trabalho, com o suporte necessário — psicólogos, educadores, ONGs e os próprios hotéis comprometidos em dar continuidade. É um processo desafiador, mas com impacto social profundo.

 

EmDiaCom: Você é membro do conselho do Visite São Paulo e conhece a importância da room tax. Como o hotel se engaja e trabalha a adesão dos hóspedes a essa contribuição?

JB:  A chave é a transparência. Metade dos nossos hóspedes é de estrangeiros, mais acostumados com esse tipo de contribuição. A resistência maior vem dos brasileiros, especialmente quando se trata de uma cobrança não obrigatória. Costumo explicar que essa taxa retorna para o destino — para o hóspede, para a empresa dele, para todos.

Logo do impresso EmDiaCom Setembro 2025

EmDiaCom: Falando sobre o futuro de São Paulo, que está em alta, o que pode impulsionar ainda mais o turismo nos próximos três a cinco anos? E como o hotel planeja se posicionar?

JB: Hoje, vejo que a principal ameaça à imagem de São Paulo como destino turístico é a questão da segurança. O atual governo estadual tem investido em tecnologia, câmeras, policiamento, e isso precisa ser mantido, independentemente de quem estiver no poder. A revitalização do centro, por exemplo, também contribui muito.

No que nos diz respeito, teremos novidades com a reforma do hotel, que vai se alinhar ao padrão mais moderno da marca e atrair um novo perfil de cliente. Nosso diferencial é oferecer um serviço exclusivo. Não somos um hotel de grande porte, mas temos um nicho muito claro, com atendimento personalizado, voltado tanto a eventos quanto ao lazer.

 

EmDiaCom: Sendo um hotel associado ao VSPCB e você, membro do conselho, qual é a importância de um gerente geral estar atualizado e engajado nessas atividades associativas?

JB: Estar no VSPCB nos permite acesso antecipado a tendências, informações estratégicas e oportunidades de mercado. Hoje, a gestão de receita depende diretamente de dados. Se você estima mal a demanda, compromete o desempenho.

Além disso, há temas maiores, como a reforma tributária. A hotelaria pode ser muito prejudicada se não tiver um posicionamento conjunto. Defendemos uma alíquota diferenciada, como já ocorre na Itália, Portugal e Espanha.

Tudo isso só é possível com união, com entidades como o VSPCB. A força está na coletividade e no acesso a informações sólidas, para que possamos tomar decisões com segurança e defender o setor de forma estratégica.