EmDiaCom: São Paulo é um destino de negócios, cultura, diversidade e criatividade. Na sua visão, quais são os pontos fortes quando falamos de inovação e comunicação do destino? E como a hotelaria está diante desse tema?
AP: O grande diferencial de São Paulo está na criatividade ou, como eu gosto de chamar, no criativismo, que é usar a criatividade como ferramenta de ativismo para propor soluções, resolver problemas e engajar mais pessoas para o lado construtivo da história. Essa combinação de criatividade com responsabilidade socioambiental é o que dá força à comunicação de destinos como São Paulo.
Temos inúmeros exemplos de empresas que já fazem isso de forma inspiradora, como a Natura, que usa tecnologia avançada — drones e inteligência artificial — para mapear a biodiversidade da Amazônia, apoiando comunidades locais e, ao mesmo tempo, fortalecendo seu negócio. É um exemplo de como inovação e propósito podem caminhar juntos, sem greenwashing, e ainda gerar valor competitivo.
Na hotelaria, essa consciência também é cada vez mais exigida. Os hóspedes já questionam o uso de plásticos e observam a coerência das práticas sustentáveis no dia a dia dos hotéis. Muitas vezes, não se trata de gastar mais, mas de colocar essas questões no radar e incorporálas à operação. Quando a hotelaria adota práticas ambientais, sociais e de governança de forma genuína e comunica isso bem, ela se torna parte da identidade do destino e ganha um importante diferencial competitivo.
EmDiaCom: Como tornar ações de sustentabilidade mais autênticas e menos greenwashing? Onde começa essa transformação?
AP: Não faça por marketing, faça porque funciona. Está provado que as empresas que adotam política ESG, de verdade, se saem melhor, dão mais lucro. Os eventos que incluem essas variáveis com seriedade são mais bem vistos e têm um reflexo mais positivo para a sua próxima edição.
A evolução para o ESG não precisa ser uma revolução imediata. As empresas podem começar incorporando mudanças gradualmente, tornando-as permanentes. A primeira fase é de conhecimento, para entender o que está por trás de questões como água, energia, resíduo, diversidade, inclusão e respeito.
EmDiaCom: Se pudesse dar um conselho direto ao trade turístico e de eventos de São Paulo, qual seria?
AP: Meu conselho é: coloque o ESG no radar. Entenda de fato o que está por trás das questões ambientais, sociais e de governança e como aplicá-las. Muitas vezes, as empresas e os destinos pensam que já estão fazendo o suficiente ao apoiar uma instituição ou realizar uma ação pontual, mas ESG vai muito além disso.
O primeiro passo é olhar para dentro: como você trata seus colaboradores, como está a sua conformidade trabalhista, se existem canais de denúncia, regras claras de conduta, políticas contra assédio e cuidados reais com o bem-estar da equipe. Só depois disso vem a atuação para fora, no apoio a projetos sociais e ambientais.
Além disso, é preciso ter acompanhamento, medir resultados, estabelecer metas claras e transformar iniciativas em política contínua de gestão. Comece com atitudes simples, muitas vezes sem custo — e que até geram economia — e avance passo a passo. O importante é agir com consistência e autenticidade.
Se o trade turístico e de eventos de São Paulo incorporar o ESG de forma genuína e permanente, estará não apenas se alinhando às expectativas globais, mas também ganhando relevância, competitividade e credibilidade com o público.